
era uma só uma coisa que ela costumava fazer. acontecia sempre que a insónia se instalava. no preciso momento em que todas as opções para entreter a espera pelo sono se esgotavam. aquele silêncio absolutamente atroz fazia-a sentir-se completamente só. como se o mundo inteiro estivesse a dormir e ela fosse a única pessoa acordada. causava-lhe tamanha inquietação que só sossegava quando abria a janela do quarto e sentia algum sinal de movimento (de vida) lá fora. o som de um carro que passava na estrada. uma luz por entre os buracos de uma persiana. enfim. as insónias têm destas coisas. e isto era só uma coisa que ela costumava fazer.

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